Mutirão dos Descritores

18-02-2011 12:51

 Escola Municipal “José Silva” Mutirão dos Descritores – Língua Portuguesa

Professora: Sílvia Luciana machado

 

Texto I

 

                                     O Balão vai subindo

 

      As festas de Santo Antônio, São João e São Pedro, embora um pouco esquecidas nas grandes cidades do sul do Brasil, ainda guardam o gosto do quentão e da pipoca nas cidades do interior e até mesmo nas capitais do norte e do nordeste do nosso país.

      Nesses lugares, o povo ainda sai às ruas, bota fogo nas suas fogueiras, canta a ciranda, dança a quadrilha e a garotada tenta subir no pau-de-sebo para apanhar alguma prenda.    

    Com isso, muita coisa da velha tradição junina que nos foi trazida pelos colonizadores portugueses está sendo preservada. Até quando? Não se sabe bem.

      À medida que as cidades vão-se industrializando e as suas áreas livres se reduzindo, os festejos juninos, que exigem largos espaços e um contato maior com a natureza, deixam de ser celebrados como o eram nas suas origens. A fogueira, transformada no próprio símbolo da festa, ficou aos poucos restrita aos lugares afastados e de pequeno movimento; os balões, mensageiros que levavam aos santos homenageados os pedidos dos devotos, hoje trazem perigo às indústrias, às casas e às reservas florestais.

      As festas celebradas sob as noites frias do mês de junho, apesar das mudanças que foram sofrendo ao longo do tempo, ainda preservam superstições e adivinhações muito usadas pelas moças casadeiras e um rico repertório de música própria e, sobretudo os quitutes à base de milho desenvolvidos ao longo de mais de quatrocentos anos de tradição junina.

 

                                                                                             Sua Boa Estrela

                                                               nº 67 - Ano XIII - 1979 (Adaptação)

 

 

QUESTÃO 1- De acordo com o texto, os problemas que ameaçam as festas juninas são

 

(A) a redução das áreas livres e o avanço tecnológico.

(B) a industrialização das cidades e o avanço tecnológico.

(C) a industrialização das cidades e a diminuição das áreas livres.

(D) as superstições do povo e o aumento da diversidade musical.

 

 

Texto II

A Casa da Moeda do Brasil

 

       Se o governo brasileiro precisa emitir dinheiro, você sabe quem se encarregará de produzi-lo? A Casa da Moeda do Brasil. Além de cédulas e moedas, ela confecciona selos e medalhas.

       A Casa da Moeda foi fundada em Salvador, em 1694, por ordem do governo português, para cunhar moedas com o ouro extraído da mineração. Inicialmente, foram cunhadas somente moedas de ouro e prata, mas depois se passou a produzir moedas de cobre para pequenos valores.

       [...] Ela compreende quatro repartições: o Departamento de células, o de Moedas e Medalhas, a Gráfica Geral e o Departamento de Engenharia de Produtos e o desenvolvimento de Matrizes, que é o responsável pela concepção técnica e artística dos artigos elaborados pela instituição.

 

O Estado de S. Paulo. 20 fev. 2007. Estadinho. (Fragmento).

 

QUESTÃO 2- O terceiro parágrafo do texto é iniciado pela palavra “Ela...”. Esta palavra substitui o

seguinte termo:

 

(A) A Casa da Moeda. (2° parágrafo)

(B) da mineração. (2° parágrafo)

(C) a Gráfica Geral. (3° parágrafo)

(D) concepção técnica e artística. (3° parágrafo)

 

Texto III

 

Por que a girafa não tem voz

 

        [...] O dia da corrida foi logo marcado. O leopardo, certo de que ia vencer, convocou todos os animais da floresta para vê-lo derrotar a grandona. Os bichos acorreram para se divertir e torcer pela derrota da girafa.

       Assim que foi dada a largada, os dois saíram lado a lado, mas logo o leopardo tomou a dianteira. Corria tanto que acabou chocando-se contra uma árvore e teve de abandonar a competição.

      A bicharada ficou muito decepcionada ao ver a girafa se tornar campeã. Depois da vitória, ela ficou mais faladora ainda.

       Ninguém tinha mais paciência para aguentar aquele blá-blá-blá infindável. Até que o macaco, esperto como ele só, resolveu dar um jeito na questão.

       Ele tirou um bocado de resina de uma árvore e misturou-a na ramaria que a girafa costuma mastigar. Depois, escondeu-se, esperando a falastrona chegar para comer.

       As folhas prenderam-se no comprido pescoço da girafa e, por mais que ela tossisse e cuspisse, ficaram grudadas em sua garganta, calando-a para sempre. Daí em diante, seus descendentes passaram a nascer sem voz.

 

Barbosa, Rogério Andrade. Histórias africanas para contar e recontar.

SP:Editora do Brasil, 200

 

QUESTÃO 3 - No trecho “... mais paciência para aguentar aquele blá-blá-blá infindável,” a expressão destacada:

(A) revela um tipo de música cantada pela girafa.

(B) ressalta o falatório da girafa.

(C) ratifica o grito de vitória da girafa.

(D) reforça a decepção dos animais com a vitória da girafa.

 

 

Texto IV

 

Com a fúria de um vendaval

 

       Em uma certa manhã acordei entediada. Estava em minhas férias escolares do mês de julho. Não pudera viajar. Fui ao portão e avistei, três quarteirões ao longe, a movimentação de uma feira livre.

       Não tinha nada para fazer e isso estava me matando de aborrecimento. Embora soubesse que uma feira livre não constitui exatamente o melhor divertimento do qual um ser humano pode dispor, fui andando, a passos lentos, em direção àquelas barracas. Não esperava ver nada de original, ou mesmo interessante. Como é triste o tédio! Logo que me aproximei, vi uma senhora alta, extremamente gorda, discutindo com um feirante.

       O homem, dono da barraca de tomates, tentava em vão acalmar a nervosa senhora. Não sei por que brigavam, mas sei o que vi: a mulher, imensamente gorda, mais do que gorda (monstruosa), erguia seus enormes braços e, com os punhos cerrados, gritava contra o feirante. Comecei a me assustar, com medo de que ela destruísse a barraca (e talvez o próprio homem) devido à sua fúria incontrolável. Ela ia gritando e se empolgando com sua raiva crescente e ficando cada vez mais vermelha, assim como os tomates ou até mais.

       De repente, no auge de sua ira, avançou contra o homem já atemorizado e, tropeçando em alguns tomates podres que estavam no chão, caiu, tombou, mergulhou, esborrachou-se no asfalto, para o divertimento do pequeno público que, assim como eu, assistiu àquela cena incomum.

 

http://lportuguesa.malha.net/content/view/27/1/

 

QUESTÃO 4 - Dos fragmentos abaixo, aquele que exemplifica o narrador-personagem da narrativa é

(A) “Fui ao portão e avistei, três quarteirões ao longe, a movimentação de uma feira livre”.

(B) “O homem, dono da barraca de tomates, tentava em vão acalmar a nervosa senhora”.

(C) “a mulher, imensamente gorda, mais do que gorda (monstruosa), erguia seus enormes braços e, com os punhos cerrados, gritava contra o feirante.”

(D) “Ela ia gritando e se empolgando com sua raiva crescente e ficando cada vez mais vermelha, assim como os tomates ou até mais.”

 

 

Texto V

 

 

Terra seca

                                   Ary Barroso

 

O nêgo tá, moiado de suó

 

Trabáia, trabáia, nêgo / Trabáia, trabáia nêgo (refrão)

 

As mãos do nêgo tá que é calo só

Trabáia, trabáia nêgo

Ai “meu sinhô”nêgo tá véio

Não aguenta essa terra tão dura, tão seca, poeirenta...

 

O nêgo pede licença prá fala

O nêgo não pode mais trabaiá

Quando o nêgo chegou por aqui

Era mais vivo e ligeiro que o saci

 

Varava estes rios, estas matas, estes campos sem fim

Nêgo era moço, e a vida, um brinquedo prá mim

Mas o tempo passou

Essa terra secou ...ô ô

A velhice chegou e o brinquedo quebrou ....

Sinhô, nêgo véio tem pena de ter-se acabado

Sinhô, nêgo véio carrega este corpo cansado

 

cifrantiga3.blogspot.com/2006/05/terra-seca.html

 

QUESTÂO 6 - O traço da linguagem informal utilizada pelos escravos está indicado no seguinte trecho:

(A) “Não aguenta esta terra tão dura, tão seca, poeirenta...”

(B) “O nêgo não pode mais trabaiá.”

(C) “Era mais vivo e ligeiro do que o saci.”

(D) “estes campos sem fim”.

 

Texto VI

 

A Mulher no Brasil

 

       A história da mulher no Brasil, tal como a das mulheres em vários outros países, ainda está por ser escrita. Os estudiosos têm dado muito pouca atenção à mulher nas diversas regiões do mundo, o que inclui a América Latina. Os estudos disponíveis sobre a mulher brasileira são quase todos meros registros de impressões, mais do que de fatos, autos-de-fé quanto à natureza das mulheres ou rápidas biografias de brasileiras notáveis, mais reveladoras sobre os preconceitos e a orientação dos autores do que sobre as mulheres propriamente ditas. As mudanças ocorridas no século XX reforçam a necessidade de uma perspectiva e de uma compreensão históricas do papel, da condição e das atividades da mulher no Brasil.

(fragmento)

Hahner, June E.

QUESTÃO 7 - Considerando o fragmento lido, podemos afirmar que

(A) quanto à existência de um estudo histórico sobre seu papel na sociedade, a mulher brasileira assemelha-se à de várias partes do mundo.

(B) excetuando-se as rápidas biografias de brasileiras notáveis, as demais obras sobre a mulher no Brasil estão impregnadas de informações sobre o seu valor na sociedade.

(C) as modificações de nosso século reforçam a necessidade de que se escreva uma verdadeira história da mulher no Brasil.

(D) os estudos disponíveis sobre a mulher brasileira são registros baseados em

fatos inquestionáveis numa perspectiva histórica.